Homenagem ao MPB4

Sessão de Encerramento

MAC – 19h30 domingo 25

MPB4

"O importante é que a nossa emoção sobreviva"

Em 1979 o MPB4 apresentou o show “Bons Tempos, Hein?!”, com texto especialmente escrito por Millôr Fernandes. O show era uma retrospectiva dos últimos 15 anos do Brasil e ao mesmo tempo comemorava os 15 anos de carreira do grupo. Um trecho do texto escrito por Millôr, dizia que o MPB4 já havia se apresentado em diversos cantos do mundo, todos eles no Brasil. Mas foi aqui em Niterói, o primeiro canto do Brasil a dar voz ao MPB4.
Miltinho e Magro eram estudantes de engenharia da UFF. Ruy era formado em direito pela mesma faculdade. Aquiles era estudante de segundo grau. Nas horas vagas, participavam das reuniões e da luta dos Centros Populares de Cultura, os CPCs. Como os quatro já tinham suas experiências musicais, juntaram-se e formaram o Quarteto do CPC. Nas férias de julho de 1965 os quatro jovens compraram passagens para São Paulo com o objetivo de cantar no Fino da Bossa, programa comandado por Elis Regina e Jair Rodrigues. Com muitos sonhos na bagagem, os quatro jovens de Niterói atravessaram a Baía de Guanabara e rumaram para São Paulo, dando início à história do MPB4 (o nome Quarteto do CPC, por conta do momento político que o Brasil vivia, precisou ser deixado para trás). Em São Paulo, conseguiram cantar no Fino da Bossa, num octeto junto com as também iniciantes jovens do Quarteto em Cy. A atuação dos quatro meninos de Niterói sempre foi muito além da música. Seja no teatro, nas telenovelas ou no cinema, o MPB4 sempre esteve presente. Recentemente, participaram com depoimentos e música do documentário “Uma noite em 67”, que relatou a noite da final do histórico festival de 1967 da TV Record, quando Chico Buarque e o MPB4 ficaram em 3º lugar com Roda Viva, música de Chico, em antológico arranjo do maestro Magro Waghabi. Do mesmo Chico Buarque, o MPB4 gravou algumas músicas da trilha sonora do filme “Ópera do Malandro”. No filme “Garota de Ipanema” gravaram ao lado do Quarteto em Cy a canção “Rancho das Namoradas”. E até dubladores eles já foram! Para quem não sabe, os abutres de Mogli e os Oompa-Loompas da primeira versão da “Fantástica Fábrica de Chocolate” são feitos por Aquiles, Magro, Miltinho e Ruy na versão dublada para o português.
Quase 50 anos depois do início da carreira, seguindo à risca o ditado que diz que “o bom filho à casa torna”, o MPB4 retorna a Niterói, cidade que abriga o Teatro MPB4, localizado dentro do DCE da UFF e que clama por reformas urgentes, para receber esta merecida homenagem do Arariboia Cine.
Homenagear o MPB4, é trazer à tona a história do canto vocal brasileiro. Homenagear o MPB4 é falar de resistência, é falar da história da música popular brasileira, é falar de Niterói, é falar da história recente do nosso país. Homenagear o MPB4  neste momento, é homenagear o maestro Magro Waghabi, que nos deixou em agosto deste ano. Fundador do grupo, Magro participou dos shows do grupo até o final de sua vida e entrou para a história como um dos principais arranjadores vocais da nossa música, criador de arranjos históricos como os de Roda Viva, de Chico Buarque, e Lamentos, de Pixinguinha e Vinícius de Moraes.
Miltinho e Aquiles, remanescentes da formação original, Dalmo Medeiros, que entrou para o grupo em 2004 após a saída de Ruy Faria, e Paulo Malaguti Pauleira, que estreou recentemente ao lado dos outros três, formam o MPB4 que continua e continuará a levar por muito tempo o melhor da música popular brasileira para os quatro cantos do país.

Marcelo Cabanas

PS: O título deste texto é um verso da canção “Mordaça”, de Eduardo Gudin e Paulo César Pinheiro, gravada pelo MPB4 no LP “Palhaços e Reis”, lançado pela Phonogram em 1974.

O Troféu em Homenagem ao MBP4 é uma criação do artista plástico Paulo Villela.